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O importante papel do 'escudo de silício' que protege Taiwan da China

A relev√Ęncia de Taiwan como produtor mundial de microchips far√° a China pensar duas vezes antes de usar a for√ßa contra o país, o território insular que Pequim...

Por TADEU SERGIO em 17/07/2021 às 14:59:26
INTERNACIONAL, a relev√Ęncia de Taiwan como produtor mundial de microchips far√° a China pensar duas vezes antes de usar a for√ßa contra o pa√≠s, o território insular que Pequim considera uma prov√≠ncia rebelde. Taiwan tem acesso à mais avan√ßada tecnologia militar dos Estados Unidos

Getty Images via BBC

A pequena ilha de Taiwan, que n√£o chega ao tamanho de Cuba, vive olhando para seu eterno inimigo.

A apenas 180 quilômetros de dist√Ęncia de suas fronteiras fica a Rep√ļblica Popular da China, com quem compartilha a mesma l√≠ngua e os mesmos ancestrais, mas que tem um regime pol√≠tico diferente.

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De um lado do estreito, Pequim lidera um pa√≠s comunista de 1,3 bilh√£o de habitantes sob o comando de um partido √ļnico.

Do outro, Taipei administra uma rep√ļblica democr√°tica de 23 milh√Ķes de habitantes.

A disputa que ambos os pa√≠ses travam desde 1949 privou Taiwan de acesso a organiza√ß√Ķes internacionais e confere a ele um status indefinido e reconhecimento internacional limitado.

Na verdade, apenas 15 pa√≠ses no mundo reconhecem o território como um estado soberano, enquanto a China reivindica a ilha como parte de seu dom√≠nio e a considera uma prov√≠ncia rebelde.

Em 2005, o Partido Comunista chinês aprovou uma lei antissecessão que prevê seu direito de recorrer a "medidas não pacíficas" contra Taiwan se a ilha tentar se separar da China continental.

Desde então, se Taiwan declarasse independência, poderia ser alvo de um ataque militar.

Após anos de hostilidade e tens√£o, contudo, a ilha encontrou uma estratégia que contribui para sua sobreviv√™ncia nacional neste conflito assimétrico: o chamado "escudo de sil√≠cio", que tem usado para afastar o fantasma de uma invas√£o chinesa.

Trata-se de uma "arma" que ninguém consegue replicar a médio ou longo prazo dado o seu n√≠vel de complexidade. É a ind√ļstria de chips semicondutores, do qual o sil√≠cio é matéria-prima e de que dependem desde as fabricantes de avi√Ķes de combate até o setor de painéis solares, passando pelo segmento de videogames e instrumentos médicos.

A BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, conversou com Craig Addison, o jornalista que cunhou o termo com a publicação de seu livro Silicon Shield: Taiwan's Protection Against Chinese Attack "(Escudo de Silício: Proteção de Taiwan contra Ataque Chinês").

Os chips s√£o o 'cérebro' de qualquer dispositivo eletrônico

Getty Images via BBC

BBC News Mundo - Como podemos explicar o que é o "escudo de sil√≠cio"?

Craig Addison - Significa que a posição de Taiwan como líder mundial na fabricação de chips semicondutores avançados atua como um elemento de dissuasão para a ação militar chinesa.

O impacto de uma guerra nesta parte do mundo seria t√£o grande que a China pagaria um pre√ßo muito alto, incluindo graves danos à sua própria economia.

O gigante asi√°tico, como o resto da economia mundial, depende de chips super sofisticados fabricados em Taiwan.

Essas pequenas peças são feitas com semicondutores, ou seja, circuitos integrados feitos geralmente de silício.

BBC News Mundo - Do que isso protege Taiwan?

Addison - O escudo de sil√≠cio é semelhante ao conceito de MAD (sigla em ingl√™s para "destrui√ß√£o m√ļtua assegurada") da Guerra Fria, porque qualquer a√ß√£o militar no estreito de Taiwan seria t√£o prejudicial para a China quanto para Taiwan e os Estados Unidos.

De modo que, com efeito, evita o in√≠cio do conflito e protege o pequeno território de um ataque militar ordenado por Pequim.

O custo de tal a√ß√£o seria t√£o alto, n√£o apenas para o mundo, mas para a própria China, que o governo de Xi Jinping teria que pensar duas vezes antes de dar a ordem.

BBC News Mundo - H√° algum exemplo na história recente do impacto desta prote√ß√£o?

Addison - O fato de o governo chin√™s n√£o ter conseguido levar adiante sua inten√ß√£o declarada de tomar Taiwan à for√ßa se necess√°rio mostra que o "escudo de sil√≠cio" est√° funcionando.

Se Taiwan n√£o fosse um fornecedor t√£o importante de tecnologia para o mundo, é poss√≠vel que a China j√° tivesse tomado medidas para ocupar o território.

Na crise dos m√≠sseis no estreito de Taiwan em 1996, os Estados Unidos enviaram dois grupos de porta-avi√Ķes de guerra para dissuadir exerc√≠cios militares chineses em dire√ß√£o a Taiwan, que inclu√≠am o disparo de m√≠sseis.

Este é um exemplo espec√≠fico dos interesses que existem para que um ataque n√£o aconte√ßa.

BBC News Mundo - Os Estados Unidos est√£o de qual lado do conflito ent√£o?

Addison - A maioria dos especialistas militares concorda que a China não tem capacidade militar para lançar um ataque em grande escala contra Taiwan.

Em seu depoimento perante o Congresso dos Estados Unidos em junho, o general Mark Milley, chefe do Estado-Maior Conjunto, disse que um ataque seria "extraordinariamente complicado e caro" para a China.

Ao decidir lan√ßar uma a√ß√£o militar contra Taiwan, a China também deve considerar se os Estados Unidos v√£o sair em defesa da ilha.

É dif√≠cil acreditar que os Estados Unidos ficariam de bra√ßos cruzados e deixariam a China assumir o controle de Taiwan à for√ßa.

BBC News Mundo - Por quê?

Addison - Além da enorme perturba√ß√£o que traria para a cadeia de suprimentos de alta tecnologia global e para a própria economia americana, uma invas√£o daria à China o controle sobre as f√°bricas de chips mais avan√ßadas do mundo.

E o gigante asiático se apoderaria das avançadas armas de guerra que Washington vendeu a Taipei ao longo dos anos.

Alguém acredita que os Estados Unidos v√£o ficar de bra√ßos cruzados e deixar que isso aconte√ßa?

BBC News Mundo - Os Estados Unidos mantiveram a mesma política em relação a Taiwan com todos os presidentes?

Addison - Quando o presidente Jimmy Carter estabeleceu unilateralmente rela√ß√Ķes diplom√°ticas com Pequim em 1979 e cortou rela√ß√Ķes oficiais com Taiwan, o Congresso aprovou a Lei de Rela√ß√Ķes com Taiwan, que autoriza a venda de armas para a ilha.

A pol√≠tica dos EUA em rela√ß√£o a Taiwan continua sendo de "ambiguidade estratégica", o que significa que n√£o declara publicamente se defender√° ou n√£o Taiwan caso seja atacado. Isso torna mais dif√≠cil para a China planejar qualquer estratégia militar.

Em 2001, o presidente George W. Bush disse que faria "o que for necess√°rio" para proteger Taiwan de um ataque chin√™s. No entanto, a maioria dos demais presidentes americanos n√£o diz nada publicamente, embora suas a√ß√Ķes falem mais alto do que palavras.

Como mencionei antes, na crise dos m√≠sseis do estreito de Taiwan em 1996, o presidente Bill Clinton ordenou que dois porta-avi√Ķes de guerra monitorassem os exerc√≠cios bélicos chineses, enviando uma mensagem contundente a Pequim.

O governo Trump estabeleceu laços militares mais estreitos com Taiwan, incluindo a autorização da venda de armas modernas para Taipei.

E essa política de laços mais estreitos tem continuado sob a gestão do presidente Joe Biden.

No início de junho, uma delegação de senadores americanos chegou a Taiwan em um Boeing C-17 como parte do programa de doação de vacinas contra Covid-19 de Biden.

O pouso de um avi√£o militar gigante dos EUA em um aeroporto de Taiwan foi visto pela China como mais um sinal do apoio de Washington ao pequeno território.

BBC News Mundo - O que a escassez de microchips semicondutores no mercado tem a ver com Taiwan?

Addison - A escassez de semicondutores come√ßou no setor automotivo, porque os fabricantes calcularam mal a rapidez com que a demanda se recuperaria após a pandemia de covid.

Em um primeiro momento, eles cancelaram seus pedidos de chips, e depois perceberam que precisavam entrar no fim da fila para fazer um novo pedido.

Mais tarde, a escassez se estendeu a outros produtos eletrônicos, incluindo laptops e consoles de videogames, que estavam em alta demanda devido aos confinamentos impostos em todo o mundo.

Taiwan, sendo um grande fornecedor de chips para esses produtos, se tornou o gargalo na cadeia de abastecimento global.

BBC News Mundo - Qual foi a resposta do país?

Addison - Em resposta à escassez, a companhia Taiwan Semiconductor Manufacturing Co (TSMC), que fornece um quarto dos chips do mundo, est√° investindo em uma nova capacidade de produ√ß√£o, mas essa é uma solu√ß√£o de longo prazo.

No curto prazo, adotou uma pol√≠tica de dar prioridade a pedidos "reais" de compradores de chips com necessidades imediatas, em vez de atender clientes que est√£o "reservando o dobro" para cobrir suas provis√Ķes durante a escassez.

BBC News Mundo - Qual é o papel da empresa TSMC neste equil√≠brio geopol√≠tico?

Addison - A TSMC tentou ser a Su√≠√ßa da ind√ļstria de chips, ou seja, permanecer neutra, mas essa estratégia chegou ao fim.

A empresa teve que ficar do lado dos Estados Unidos na guerra comercial com a China, aceitando as san√ß√Ķes que Washington impôs à gigante da tecnologia chinesa Huawei Technologies Co.

Na verdade, a TSMC n√£o tinha muita op√ß√£o porque a maioria de seus clientes (62%, de acordo com seu relatório anual de 2020) s√£o da América do Norte.

Suas vendas s√£o provenientes de empresas como Apple, Nvidia e Qualcomm, e apenas 17% das vendas naquele ano foram para a China (incluindo a Huawei).

Por sua vez, a TSMC também depende de empresas americanas como a Applied Materials, Lam Research e KLA, que fabricam as m√°quinas para fazer os microchips. Sendo assim, n√£o pode ir contra a vontade dos EUA ou corre o risco de ser proibida de ter acesso a essa tecnologia.

É por isso que dizem que a TSMC é uma empresa taiwanesa com "alma" americana, porque seu fundador (Morris Chang) e a maioria de conselheiros e altos executivos fizeram faculdade l√° e tiveram longas carreiras em empresas americanas.

Na verdade, muitos deles s√£o cidad√£os americanos.

BBC News Mundo - Há algum país que seja tecnologicamente autossuficiente?

Addison - Nenhum pa√≠s é autossuficiente em todos os aspectos da tecnologia e, definitivamente, n√£o em semicondutores.

Nas √ļltimas décadas, a ind√ļstria de semicondutores se tornou fragmentada e v√°rias etapas da cadeia de suprimentos s√£o realizadas em diferentes locais ao redor do mundo e por diferentes empresas.

O design do chip é feito principalmente nos Estados Unidos, a placa é fabricada em Taiwan e a montagem e os testes do chip s√£o realizados na China ou no Sudeste Asi√°tico.

BBC News Mundo - O que est√° por tr√°s da decis√£o da TSMC de construir uma nova f√°brica no Arizona (EUA) para fabricar chips para a ind√ļstria militar americana?

Addison - O governo dos EUA pressionou a TSMC a investir na construção de uma fábrica de placas no Arizona.

N√£o foi uma decis√£o inteiramente impulsionada pela Defesa.

É verdade que o exército americano quer garantir um fornecimento seguro de chips em uma instala√ß√£o em seu próprio território depois que o "fornecedor confi√°vel" do Departamento de Defesa, a GlobalFoundries, que possui f√°bricas de placas nos Estados Unidos, ficou para tr√°s na corrida tecnológica.

Portanto, o Departamento de Defesa se beneficiará da decisão da TSMC de construir uma fábrica de placas avançadas no Arizona.

Mas acredito que os principais benefici√°rios das novas f√°bricas da TSMC ser√£o os grandes clientes americanos como Apple, Qualcomm e Nvidia.

Agora eles poderão ficar mais tranquilos ??sabendo que podem obter algumas peças-chave no país e não depender de Taiwan para tudo.

BBC News Mundo - A China está desenvolvendo planos para se tornar uma potência na fabricação de chips. Quanto tempo levará para conseguir se livrar da dependência de Taiwan?

Addison - A China n√£o é o √ļnico pa√≠s que quer se livrar da depend√™ncia de Taiwan.

Isso também se aplica aos EUA, Europa e Jap√£o.

Dito isso, a autossufici√™ncia na produ√ß√£o de semicondutores, se isso incluir toda a cadeia de suprimentos, desde o design dos chips até a fabrica√ß√£o de placas, é imposs√≠vel na pr√°tica.

Mesmo que fosse tecnicamente possível, o custo de alcançá-la seria proibitivo para qualquer país.

Isso n√£o se aplica apenas à China, mas também aos Estados Unidos. Portanto, nesse sentido, tudo que se fala sobre autossufici√™ncia da China é ilusório.

O que a China est√° tentando alcan√ßar em seu chamado impulso de "autossufici√™ncia" é reduzir sua depend√™ncia de chips importados, o que significa que quer poder fabricar seus chips em casa.

Mas essas f√°bricas de placas chinesas ainda ter√£o que depender de tecnologia estrangeira para fazer chips, e essa situa√ß√£o n√£o mudar√° nas próximas décadas.

V√ćDEOS: Not√≠cias internacionais

Fonte: G1

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