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Promessa do Flamengo para aos 24 anos

Por TADEU SERGIO em 16/01/2022 às 23:12:31
foto-album-familia-carlos-alberto

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Araruama/RJ. Carlos Alberto nos deixou ano passado e resolvemos republicar esta matéria assinada pelo jornalista IATA ANDERSON, conhecido como o Amigo do Rei, realizada um ano antes da Copa do Mundo, no Brasil. Carlos Alberto era uma pessoa querida pelos torcedores do Flamengo e aqueles que conviveram com ele. Inutilizado para a pr√°tica do futebol, Carlinhos se estabeleceu em Araruama com seu comercio até os √ļltimos dias de vida. Apreciem a entrevista:

Quando encontrava com amigos o que n√£o faltava era resenha sobre o futebol

Carlos Alberto Ces√°rio Lima, Carlinhos, nasceu no dia da queda da Bastilha – 14 de julho – de 1942, filho do casal Eduardo e Antonieta. Moravam próximo a resid√™ncia do presidente da Rep√ļblica no Catete, onde nasceu. A fam√≠lia mudou-se para Botafogo, Rua S√£o Jo√£o Batista. Em 1955 a transfer√™ncia para Niterói e na praia de Icara√≠ e Cantinho do Ouro, o garoto de 10 anos se apresentava fazendo "embaixadinhas", anunciado pelo pai como capaz de "fazer quinhentas". Era atra√ß√£o, na verdade fazia pouco mais de duzentas, o que n√£o era pouco.

A prioridade eram os estudos, onde o menino n√£o se desenvolvia na mesma intensidade com que se apresentava de chuteiras. A bola ganhava dos livros e isso, para o pai, n√£o era bom. Carlos Alberto foi matriculado no Gin√°sio Sul-Fluminense, em regime de internato em 1959/60. Ali come√ßou a usar chuteiras, depois do sucesso nas areias da ent√£o capital do antigo Estado da Guanabara. De tanto ouvir histórias do filho, o pai Eduardo resolveu lev√°-lo ao Flamengo, para testes. Dois treinos observados pelo consagrado técnico Fleitas Solich resultaram numa grande bronca pelo pouco tempo em que o garoto foi testado.

As condi√ß√Ķes eram bem diferentes de hoje. N√£o havia escolinhas, o cuidado que existe agora, embora muito longe do ideal. O garoto chegava para treinar com o técnico que tinha sido tricampe√£o (1953/54/55), muito prest√≠gio, conhecido como "feiticeiro", para enfrentar o time aspirante (reservas) misturado com profissionais, em treinos coletivos, uma loucura. Mesmo assim Carlos Alberto venceu e se tornou √≠dolo da maior torcida do Brasil, mesmo treinando pouco mais de dez minutos. Parou de jogar aos 24 anos, ferido pela viol√™ncia de alguns brucutus da época. Para muitos, ali estava pintando o substituto de Garrincha na sele√ß√£o.

ENTREVISTA

IATA - Você lembra do seu teste no Flamengo?

- Lembro muito bem, como esquecer aquele dia? Foi um coletivo contra os titulares, que jogariam domingo. Na sexta o time era definido. Entrei no segundo tempo, pela meia-direita, enfrentando Carlinhos e Nelsinho, Dida, Joel, Moacir, só feras, que foram titulares por muitos anos. Arrebentei com o treino. Estava soltinho, tranq√ľilo, parecia que conhecia todo mundo, bem à vontade mesmo. Depois do treino Solich procurou meu pai, que era meu "empres√°rio" para acertar um contrato de tr√™s meses. Com apenas um treino a valer assinei com o Flamengo como experi√™ncia, o que eles chamavam "contrato de gaveta".


IATA - Como aconteceu sua escalação no time principal?

- Eu fazia parte do grupo, treinava, fazia amistosos, jogava no Aspirante, esperando a chance, quando fui chamado para substituir o Adilson, que veio do Corinthians, numa excurs√£o na Europa. O time estava na Suécia e viajei sozinho, um medo danado de me perder, eu tinha 17 pra 18 anos, minha primeira viagem de avi√£o. No dia seguinte entrei em campo no lugar de Nelsinho, machucado, contra o AIK. No vesti√°rio o Dida veio falar comigo, deu a maior for√ßa, me ajudou muito. Ganhamos de 5 x 0 ou 5x2, n√£o lembro, mas fiz dois gols. Depois continuei jogando, na R√ļssia, Checoslov√°quia, uns quinze jogos, mais de um m√™s, fiz outros gols, mas n√£o lembro.

NOTA: Carlos Alberto estreou em 15-05-62, contra o AIK, est√°dio Rasunda, vitória por 3x l, gols de Carlos Alberto, Henrique e Dida. Time: Ari, Jouber, Decio Crespo, Jadir e Jordan; Vanderlei e Carlos Alberto; Joel, Henrique, Dida e Miranda. O Flamengo fez 22 jogos, de 04-4 a 30-6-62, na Suécia (4), URSS (4), Tchecoslovaquia e Italia (3), Espanha, Tunisia e Gana (1), Noruega e Finlandia. Jogou seis partidas e marcou dois gols. Fla venceu 11 jogos, perdeu 10 e empatou 1.


IATA - Na volta foi para reserva mesmo assim?

- Isso era julho de 1961, come√ßou o campeonato carioca, que n√£o permitia substitui√ß√£o. Quem n√£o era titular jogava no Aspirante, que fazia preliminar. Pegava sol de 13 horas e tinha que matar um le√£o por dia esperando a chance. Jogava com Marco Aurélio, goleiro, Paulo Henrique, que seria capit√£o por mais de dez anos, Luis Carlos, Foguete, que veio da Portuguesa, Fraga, na ponta esquerda, Silas. Era um grupo bom, faz√≠amos parte do elenco. Jogava, excursionava, esperando uma vaga.


Carlinhos concedendo entrevista ao jornalista Iata Anderson

IATA - Que vaga demorada!

- N√£o era f√°cil. Eu treinava bem na meia e na ponta, mas os titulares eram Nelsinho, dono da 8, e Espanhol, pela ponta, jogando uma barbaridade. Tive, como os outros, que esperar muito tempo. Quem jogava ia ficando, ninguém era sacado, cada posi√ß√£o tinha um dono, nenhum jogador era vendido, as vagas eram muito raras, a gente só entrava se o titular se contundisse. Foi assim durante todo o ano de 1962. Jogava nos Aspirantes, excursionava, mas n√£o fiz um jogo sequer no time titular. Passei a jogar pela ponta porque havia um boato que o Espanhol seria vendido. Eu ia jogar a decis√£o de 1963, contra o Fluminense, no lugar do Nelsinho, que estava machucado. Fiz o coletivo na quarta e na sexta, mas no dia do jogo o titular estava recuperado e jogou. Fomos campe√Ķes com o 0x0 e o destaque foi o nosso goleiro Marcial.

IATA - Finalmente a esperada chance!

- Foi em 1964, quando o Espanhol foi vendido, o que era mais ou menos previsto, havia boato, como falei antes. Eu j√° havia me fixado como ponta direita e estava muito bem, em grande fase. Solich havia sa√≠do e quem me lan√ßou como titular foi Flavio Costa. Ele contava que durante um torneio na Espanha, contra o Nacional, do Uruguai, os observadores foram conhecer melhor o Espanhol, que jogou o primeiro tempo eu entrei no intervalo e acabei com o jogo e os caras pensaram que eu era o Espanhol, que foi comprado errado. Mas n√£o foi bem assim. Ele jogava muito, foi comprado por suas qualidades, um baita jogador. Fez muito sucesso por l√°. Isso fica por conta do folclore do futebol, que é muito rico, ahahah.

NOTA: Primeiro jogo oficial, vitória sobre a Portuguesa por 2x1, dia 19-7-64, gols de Carlos Alberto e Nelson, na Laranjeiras, Campeonato Carioca. Time: Marcial, Murilo, Dit√£o, Ananias e Paulo Henrique; Carlinhos e Nelsinho; Carlos Alberto, Airton, Nelson e Paulo Alves. Árbitro: Amilcar Ferreira.


IATA - Espanhol foi cotado para seleção brasileira

- Ele ficou por l√°, mora até hoje na Espanha onde fez muito sucesso. Foi um grande jogador. Vi um jogo dele contra o Vasco, pelo Aspirante, que eu nunca vi um jogador jogar tanto. Ele deu um baile num lateral chamado "Pau" Pereira, que batia muito, um negr√£o forte, que jogou no lugar do Barbosinha. Joguei algumas partidas contra ele, dava medo. Mas nesse dia o Espanhol acabou com ele. O Flamengo venceu por 5x4, um grande jogo.

IATA - Com a venda do Espanhol você ganhou a vaga?

- Ele foi vendido em 1964 e fui lan√ßado pelo Flavio Costa como titular. A estréia foi contra a Portuguesa, no campo do Fluminense, vencemos por 2x0 e fiz o primeiro gol. Naquela época o campeonato era por pontos corridos e o Flamengo estava uns quatro ou cinco pontos do segundo colocado quando sofri uma les√£o muito séria, num Fla x Flu. Fui no fundo para cruzar uma bola e fui acertado numa dividida com Altair e Procópio, juntos. N√£o sei quem me acertou ou se pisei num buraco, mas ali come√ßava meu drama, uma fratura de maléolo que me tirou de a√ß√£o por muito tempo.

IATA - Uma lesão que a recuperação nos dias atuais seria rápida?

- Sim, claro, hoje os caras quebram a perna e uma semana depois est√£o jogando, houve uma evolu√ß√£o muito grande nessa √°rea. Acabei ficando muito tempo fora, só treinando e fazendo tratamento, nada de jogo. Eu ia voltar contra o Botafogo, j√° nos jogos finais, com a promo√ß√£o do jogo em cima de mim e do Garrincha, duelo dos pontas, aquelas coisas que os jornais faziam para chamar o torcedor. Fiquei fora e o Botafogo ganhou de 1x0, gol de Roberto Miranda, de cabe√ßa, na despedida de Nilton Santos. Bastava o empate para o Flamengo ser o campe√£o. Ficaram para a final Fluminense, que acabou campe√£o, e Bangu.


IATA - Quanto tempo você ficou parado ?

- A metade do ano fiquei fora, só em tratamento e recupera√ß√£o f√≠sica para poder jogar. Atuei umas dez partidas, mais ou menos e o time acabou campe√£o do Quarto Centen√°rio, j√° em 1965. N√£o era um grande time, tima√ßo, mas tinha Almir e Silva em grande fase. Eles resolviam os jogos, estavam afinadinhos, jogando muito. Poucas vezes vi uma dupla t√£o entrosada como aquela. Tinha um meio de campo excepcional com Carlinhos e Nelsinho, Paulo Henrique agora titular absoluto, jogando muito, capit√£o do time, Osvaldo "Ponte Aérea", Dit√£o, Jaime Valente, n√£o me lembro de todos.

NOTA: O Flamengo perdeu para o Botafogo por 1x0 (19-12-65), mas foi campe√£o. Time: Valdomiro, Murilo, Dit√£o, Jaime Valente e Paulo Henrique; Carlinhos e Nelsinho; Neves, Almir, Silva e Rodrigues. Técnico: Armando Renganeschi.

IATA - A recuperação foi boa?

- N√£o, foi um ano muito complicado. Joguei pouco, umas dez vezes, como j√° falei, sempre recuperando de les√Ķes. Era titular, mas n√£o estava sempre em campo. Eu precisava atuar, visando uma vaga na sele√ß√£o para 1966, na Inglaterra. Jo√£o Saldanha se empolgou com algumas partidas que fiz e disse que o time seria eu e mais dez. Dando-me for√ßa, claro. Chegou a falar isso comigo. Eu estava no melhor momento tecnicamente, mas fisicamente n√£o conseguia render bem. Vivia no departamento médico.

IATA - Aconteceu ent√£o a segunda contus√£o seria!

- Tive que fazer uma cirurgia na coxa, para recuperar um m√ļsculo. Levei oitenta pontos internos e externos para tentar acabar com as constantes les√Ķes musculares. Foi uma opera√ß√£o muito complicada que me tomou muito tempo. Era tudo muito dif√≠cil para todo mundo, mas para mim parecia pior, que fase.

IATA - Jogo com o Bang√ļ a entrada fatal!

- Comecei 1966 jogando, aparentemente recuperado, titular absoluto, olho na camisa 7 da sele√ß√£o brasileira, que se preparava para a copa do mundo da Inglaterra. Fiz um bom campeonato, tudo corria bem até a decis√£o com o Bangu, quando sofri aquela entrada no joelho e n√£o me recuperei mais. Fiz tr√™s opera√ß√Ķes, mas nenhuma deu certo. Foi uma entrada violenta do Ari Clemente, que me tirou do jogo aos 10 minutos. N√£o podia substituir naquela época e fiquei pela ponta fazendo n√ļmero. Nelsinho também se machucou e eu nem podia por o pé no ch√£o, de tanta dor. O Flamengo terminou o jogo com nove jogadores.

IATA - Final de carreira

- Fiquei três anos operando, tentando recuperar, fazendo tratamento, mas nada de bola. Encerrei a carreira com 24 anos, praticamente, pois fiquei três anos sem jogar, na esperança de voltar a entrar em campo. Se fosse hoje eu voltaria, tenho certeza disso, mas as coisas eram muito difíceis para os jogadores. Os clubes tinham poucos recursos, não havia a fisioterapia, que diminuiu o tempo de recuperação em mais de um mês, em alguns casos. Fiz três cirurgias no joelho e em 1968 parei oficialmente, com a rescisão do contrato pelo Flamengo. Eu teria jogado mais uns dez anos, se não fosse aquele jogo com o Bangu.

IATA - Como foi o contato com Jo√£o Saldanha?

- Saldanha gostava muito do meu futebol, sempre me incentivou, me promoveu muito, por isso eu devo muito a ele. Ele falou comigo, l√° na G√°vea, durante um treinamento da sele√ß√£o juvenil, contra o Flamengo e eu barbarizei. Depois do jogo ele me disse que eu estava praticamente convocado, n√£o sei em que se baseava, mas como era o Saldanha, fiquei na esperan√ßa de ser chamado. Na verdade eu acredito que seria mesmo, até porque, naquele ano convocaram quatro sele√ß√Ķes e acabaram levando o Garrincha sem a m√≠nima condi√ß√£o de jogo. Isso foi em 1964. Mas o destino n√£o quis assim, paci√™ncia.

IATA - Fim de linha?

- Tudo caminhava para ser o fim da linha, mas a gente nunca se entrega e fiz mais uma opera√ß√£o no joelho, com o Dr. Paes Barreto, que era médico do Fluminense. Meu pai j√° havia conseguido meu passe com o Flamengo e o Dr. Barreto fez um contato com o Flavio Costa, seu amigo, que estava no América. Ele acreditava na minha recupera√ß√£o. Fui treinar naquele campo do Andara√≠, onde hoje tem um shopping (Iguatemi), mas o joelho inchava depois de qualquer atividade. Treinava, inchava tratamento, infiltra√ß√£o de cortisona, a mesma rotina anterior. Meu pai procurou outros médicos, curandeiros, rezadeiras, fui parar no Zé Arigó, que, diziam, recuperava qualquer les√£o. Nada deu certo.


IATA - Quando você parou de vez?

- Depois de tanto rodar fomos indicados a um médico, n√£o lembro o nome dele, ali na entrada do t√ļnel Rebou√ßas. Diziam que o cara era muito bom, fomos tentar mais uma vez. Depois de algumas radiografias ele me chamou e bateu o martelo: "Carlos Alberto voc√™ tem uma artrose progressiva e só pode piorar, n√£o pode mais jogar profissionalmente". N√£o tinha mais volta. Nem peladas podia jogar mais.


IATA - Futebol só para assistir e torcer pelo Flamengo!

- Lógico Flamengo sempre, a fam√≠lia toda. Mas no geral est√° muito ruim. Filhos, netos, todo mundo comemora cada gol, cada vitória, mas eles andam um pouco escassos. Vejo muito os campeonatos europeus, a Liga dos Campe√Ķes, sempre com grandes partidas, times excelentes, os melhores jogadores do mundo est√£o l√°. D√° gosto ver um Cristiano Ronaldo, Messi, Xavi, Iniesta e tantos outros craques maravilhosos.


IATA - O que você tem visto mais?

- O campeonato espanhol, pra mim o melhor do mundo. D√° gosto ver jogar o Real Madrid, Barcelona, l√° é bom, os caras brincam de jogar, fazem aquilo com prazer, jogam muito, d√° gosto de ver o futebol deles. Vi o √ļltimo amistoso da Alemanha e gostei muito. Eles est√£o novamente com um time muito forte, o que n√£o é novidade. Vai ser duro ganhar deles aqui. Tor√ßo pelo Real Madrid, mas admiro muito o Messi, joga muito, est√° sempre fazendo gols, dois tr√™s por jogo, um absurdo. Mas nem pergunte se pode comparar com Pelé, n√£o tem a menor chance. Joguei contra ele algumas vezes, vi de perto. Esque√ßam qualquer tipo de compara√ß√£o. Ele foi o maior de todos, √ļnico!

Carlos Alberto, jogador profissional e Iata Anderson, amigos desde os anos 60


Fotos de Iata Anderson - Foto principal arquivo de família de Carlos Alberto

Fonte: IATA ANDERSON

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